Um estúdio montado por gente que já atendeu no balcão antes de programar.
Aplicativo de loja não termina na tela do cliente: termina no pedido que chega à cozinha, na rota que o entregador abre e no relatório que o dono lê na segunda de manhã.
A casa começou com dois programadores e um projeto de aplicativo de pedidos para uma padaria de quadra. O aplicativo ficou pronto, bonito e ninguém usou: o atendente continuava anotando em papel, porque o pedido chegava numa tela que ele não conseguia ler de longe.
A correção levou uma tarde e ensinou o que virou regra: o aplicativo só é bom quando funciona para quem está em pé, com a mão ocupada e o celular sujo de farinha. Desde então ninguém desenha tela sem antes passar um turno na operação do cliente.
Hoje o estúdio faz o percurso inteiro — conversa de escopo, desenho, código, envio às lojas e manutenção — e recusa pedaço solto quando o pedaço não resolve nada sozinho. Aplicativo publicado e abandonado dá mais trabalho ao dono do que nenhum aplicativo.
Os exemplos que aparecem aqui são de comércio e entrega porque é a vizinhança que mais nos procura. A mesma rota já serviu para clínica, oficina e escola de idiomas: muda o vocabulário das telas, não o método.

Turno antes da tela
Ninguém desenha o que nunca viu funcionando.
Papel antes de código
Errar no rascunho é o erro mais barato do projeto.
Conta no nome do dono
As contas de loja são do cliente, e ele mantém as chaves.
Versão pequena todo mês
App parado quebra sozinho quando o sistema muda.
Seis paradas entre a conversa e a loja
Nenhuma delas é opcional, e a ordem importa: trocar duas telas no papel custa um lápis, trocar as mesmas duas depois do código custa uma semana de trabalho de duas pessoas.
Um turno dentro da operação
Antes de desenhar tela, alguém do estúdio passa um turno no balcão ou na cozinha. O pedido que trava às sete da noite não aparece em reunião.
Navegação em papel
O caminho inteiro sai impresso e vai para a mão de quem vai usar. É a etapa mais barata para descobrir que faltou uma tela.
Um código, dois sistemas
iPhone e Android saem da mesma base, com as diferenças tratadas uma a uma: permissão de localização, aviso de notificação, botão de voltar.
O que acontece sem sinal
Entregador em elevador e caixa em subsolo entram no projeto: o app guarda o que foi feito e envia quando a rede volta.
Publicação acompanhada
Ficha, capturas, política de privacidade, classificação etária e resposta à revisão. O envio é feito por nós, na conta do cliente.
Depois da estreia começa o resto
Sistema muda duas vezes por ano, loja muda regra, negócio muda preço. Por isso existe versão pequena todo mês.
Donos que já passaram por isso
Recolhidos ao fim dos contratos e publicados com autorização de cada um.
O app do entregador funciona no elevador e no subsolo. Era exatamente o que derrubava o sistema anterior.
A publicação voltou duas vezes por causa da ficha. Eles responderam à loja e eu nem precisei entender o assunto.
Pedi uma coisa a menos na primeira versão e eles concordaram na hora. Nenhum fornecedor tinha topado cortar escopo antes.
Testaram num celular de 2017 que ninguém quer ver. É o aparelho de metade da minha clientela.
Todo mês sobe uma versão pequena. Antes eu ficava dois anos com o mesmo aplicativo quebrado.
A leitura de segunda cabe em uma tela e eu leio inteira. A anterior tinha trinta abas e eu nunca abri.
Conte o que trava hoje no seu balcão
A primeira conversa é sobre a operação, não sobre tecnologia. Dela sai o mapa de telas e uma estimativa honesta de quanto cada pedaço custa.